#HistóriasdeSuperação III – Outubro Rosa

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Durante todo o mês de Outubro contaremos as histórias de superação colhidas pelo Instituto Se Toque. Cada história uma emoção diferente. Abra o coração e boa leitura!

Dia da  Patrícia Delgado

 “Nunca a gente acha que vai ser com a gente.”

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Professora do ensino infantil, Patricia tomou uma decisão quando descobriu seu câncer de mama. Queria continuar a dar aulas durante o tratamento. E assim, com o apoio do Colégio Santa Cruz, ela continuou a ver seus pequenos alunos.

Na semana em que fazia a sessão de quimioterapia ficava fora de combate, na casa da mãe, tentando se recuperar dos efeitos do tratamento; nas duas semanas seguintes, dava as aulas normalmente. Uma peruca disfarçava a careca. “Eles ficavam felizes de me ver de volta. Isso ajudou, claro, no tratamento.” A energia dos guris a ajudou, com certeza, na cura. “Eu pensei: ‘quanto mais eu puder ter uma vida normal, com momentos alegres, vai me ajudar.’”

Como muitas mulheres, Patricia Junqueira de Andrade Delgado, hoje com 48 anos, casada e mãe de uma adolescente de 17 anos e um menino de 12, nunca imaginou ficar doente. Ela não sentia dor nem incômodo. Nada – exceto por um carocinho do tamanho de um feijão no seio direito que apareceu quando ela tinha 39 anos.

A consulta de rotina com seu ginecologista estava marcada dois meses depois, em julho, período das férias escolares. Mas o carocinho que apareceu no autoexame durante o banho a incomodava. Mas não o bastante para adiantar a consulta. “Pensei que era um gânglio inflamado.”

Em julho, na visita ao médico, ele solicitou que Patricia corresse para fazer uma mamografia com urgência. Até este momento, ela lembra de estar relativamente tranquila. A partir daí, o nervosismo foi crescendo. A mamografia indicou a presença do caroço, o ginecologista indicou um mastologista que fez a punção no próprio consultório. Depois disso, novos exames foram realizados para ter a certeza – que não chegou.

Como os exames não indicavam certeza se era ou não maligno o tumor, ela decidiu bia se era maligno e, mesmo com a cirurgia marcada, ela diz que esperava, ao final, a notícia de que não era nada. Ao acordar da cirurgia, lembra da cara do marido dizendo “não era bem o que o médico esperava, mas ele vai conversar com a gente.”

“Fiquei em choque. Fiquei um minuto assim em silêncio. Depois, chorei, conversei. Falei com médico e disse uma coisa que muita gente diz: ‘acho que você está errado’”, lembra Patricia, que na época tinha 39 anos.

O tratamento foi duro, mas ela lembra ter sido muito apoiada por toda a família e amigos. Nos dias mais pesados, quando não tinha vontade de não fazer nada, exceto dormir, ficava na casa da mãe. A comida de lá não a enjoava tanto. Diz que lhe ajudou não ficar em silêncio escondendo sua condição: compartilhou e ouviu histórias de amigos. Isso lhe deu forçar para saber que poderia superar a doença.

Mas ela dá um alerta importante: que as mulheres façam seus exames de mamografia, não deixem para depois.

Patricia, ou Patti, como é conhecida, considera vital a realização desse exame para salvar vidas. “Deveria ser obrigatório a partir dos 35 anos. Se a mulher não quer fazer todo ano a partir de 35 anos, então que faça a cada dois anos. Depois dos 40, tem que fazer sempre.”

Ela sabe bem disso, pois estava fora do “grupo de risco”: amamentou os filhos, não fumava, não bebia, fazia exercícios, tinha uma rotina tranquila ao lado da família. De câncer perdeu o avô materno – o tumor foi no estômago.

“Nunca achava que ia acontecer comigo. Nem mesmo depois dos primeiros exames. Não sentia nada”, conta. “Nunca a gente acha que vai ser com a gente.”

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