#HistóriasdeSuperação VI – Outubro Rosa

Durante todo o mês de Outubro contaremos as histórias de superação colhidas pelo Instituto Se Toque. Cada história uma emoção diferente. Abra o coração e boa leitura!

Dia da Ivna Chedier

“Colocou a mãozinha na minha pele e disse: está doendo? Cadê o outro peito?”

Um belo dia, após a retirada do seio, Ivna tomava banho pensando na vida. O filho a flagrou. Ela pensava em como contar que havia adoecido e retirado a mama direita, mas ele foi mais rápido. “Colocou a mãozinha na minha pele e disse: está doendo? Cadê o outro peito?”

Nascida em Petrópolis, a jornalista Ivna Chedier Maluly, de 39 anos, mora em Bruxelas desde 2003. Lá conheceu o marido, o jornalista Christophe, em um mestrado. Casaram e tiveram Elias, hoje com 9 anos. Em 2009, Ivna descobriu um caroço no seio. Sentiu uma dor que classifica como “horrível”.

Em Bruxelas, onde vive com o marido, não conseguiram detectar nada. Mas meses depois, quando veio ao Brasil, descobriram. Era agressivo. A família, conta ela, tem carga genética alta. Várias primas tiveram, uma faleceu de câncer de mama, e a mãe tinha recém se recuperado da doença. Seu filho, Elias, tinha apenas 4 anos na época.

O pai, médico, indicou outros profissionais para operá-la em Petrópolis. Ela estava com três tumores interligados. “Meu peito era uma maçaroca”, conta. Estava com raiva dos médicos belgas que a atenderam e não detectaram a doença.

Logo depois da cirurgia, Christophe pediu para que ela retornasse a Bruxelas. “Tive que decidir rápido”, lembra Ivna. E então ela decidiu pela Bélgica para fazer o tratamento quimioterápico com Martine Piccart – médica indicada pelos médicos brasileiros.

Durante o tratamento, sua mãe a acompanhou em algumas sessões. Ela contou com o apoio da família do marido também e do staff da escola. “Até o segurança da escola ajudava, pegando meu filho do outro lado da rua, quando eu estava fraca demais.”

A preocupação de Elias sobre “quando vai voltar o peito da mamãe” acabou se transformando num livro lindo, com belas ilustrações e falas que ajudam crianças a lidar com a doença das mães. Depois de “Cadê seu peito, mamãe?” (ed. Escrita Fina), ela conta que vieram mais dois outros livros e já está programando outros.

Além disso, Ivna faz traduções e dá aulas de português no Parlamento Europeu. “Sou muito ativa, nunca parei muito.”

Reconstrução mamária

E a raiva dos médicos belgas passou. No Brasil, ela ouviu que, mesmo depois da mamografia na Bélgica, os tumores poderiam ter crescido rapidamente. Acontece. “A Bélgica tem hospitais maravilhosos, eu é que talvez tenha ido a um médico errado. Ou realmente não dava para ver.”

Ivna teve cobertura boa do plano de saúde, que pagou até parte do tratamento: uma injeção caríssima – de um remédio que ela teve que tomar e que custava cerca de 3 mil Euros (cada injeção).

Ela conta que o governo também cede uma prótese para a mulher usar enquanto não faz a reconstrução mamária.

O marido e o filho estiveram o tempo todo ao seu lado, dando apoio e carinho.

O que mudou? “Eu parei muito de reclamar das coisas, comecei a gostar de plantas – nem gostava (risos)”, diz. “Sou uma pessoa muito melhor.”

Ah, e o peito de Ivna, para alívio de Elias, voltou! Foi reconstruído com o método que ela escolheu: uma prótese que é preenchida com soro fisiológico.

Ivna, você realmente é uma pessoa guerreira e que merece nossa admiração. Parabéns pela luta.